22 de nov de 2008

Podcast com Shawn Crahan no Headbangers Blog









O percussionista Shawn Crahan deu uma entrevista por telefone com uma hora de duração para o Headbangers Blog, no ínicio de Outubro, um pouco antes do Slipknot embarcar para a turnê no Japão. Na conversa, temas como fotografia, família, música, além do DVD Voliminal e até mesmo um outro filme que Clown está fazendo foram citados. Pra você que gosta de ler e ouvir a entrevista ao mesmo tempo, adicionamos algumas marcações de tempo ao longo do texto para facilitar a localização. Ouça a entrevista no Player abaixo, e leia em seguida a tradução completa.




HB: Começando um Podcast da MTV2 com Shawn Crahan, também conhecido como Clown, do Slipknot. Como você está, Shawn?

Shawn: Olá, estou bem, e você?

HB: Estou bem. Você está tendo muito o que fazer, inclusive está prestes a viajar para o Japão, certo?

Shawn: Indo para o Japão às 8:30 da manhã de amanhã. Suprindo a turnê internacional.

HB: Que bom que conseguimos pegá-lo antes da grande jornada. Você gosta de tocar em outros países, principalmente no Japão que tem uma energia bem diferente? [00:50]


"O rock 'n' roll fez de mim um PHD em lugares do mundo por causa das turnês."

Shawn: Acho que sempre é uma consequência da banda. Lógicamente somos uma das melhores bandas do mundo. Por causa de todo o equipamento, etc. Tocar no Japão é testar o quanto por dentro eles estão. Quando você está tocando, se você pedir pra eles pularem, cada um da multidão vai pular. E você vai sentir isso, você diz "Isso é muito poderoso." Mas também tem o outro lado, depois que uma música chega ao fim, todos eles ficam em silêncio e você pode ouvir uma caneta cair no chão. E isso é muito estranho porque você se acostuma a ficar entre urros e gritos, mas eles preferem ficar completamente quietos.


Então eu amo tocar no Japão, é um dos meus lugares favoritos no mundo inteiro, todos deviam ir lá pra ver como é. E em todos os lugares que iremos agora serão fantásticos, vamos passar pela Índia, Russia e também por Tel Aviv. E estamos todos muito empolgados, o rock 'n' roll fez de mim um PHD em lugares do mundo por causa das turnês. E agora vamos tocar em países diferentes, então existe o medo e é bom ter o medo presente na sua arte porque quando você o supera, você avança um nível. [02:55]

HB: Legal. No grupo vocês tiveram algumas lesões há um tempo. Joey está indo em turnê com vocês, certo?

Shawn: Sim. Eu faço de tudo pra não falar com ninguém da banda enquanto estamos de folga. E acho que todos da banda fazem isso. Ele fala "olá" e "feliz aniversário" e essas coisas simples. Mas ele teve seu tempo de descanso, vale lembrar que Sid também se machucou, quebrou os dois calcanhares. Esmagou totalmente e teve que colocar uns pinos, arregaçou mesmo os dois calcanhares.

Ele está andando com uma bengala, mas depois de 20 minutos ele já está sentindo muita dor. E isso não é legal pros fãs assistirem. Não é legal ver ninguém sentindo nenhum tipo de dor, então tomara que os dois cavalheiros melhorem. Mas isso é aquele tipo de coisa que acontece desde que nem tinhamos uma gravadora.


"Não é por causa de um par de ossos quebrados que nós vamos quebrar o ciclo de turnê inteiro."

HB: O que aconteceu com Joey? Pois nós só ficamos sabendo que ele machucou o tornozelo e não pôde fazer alguns shows da turnê.

Shawn: Ele quebrou o tornozelo...

HB: Como?

Shawn: Na verdade eu não sei bem como, eu não estava lá. Então é melhor pra mim não dizer nada, porque eu não sei. E nós nem falamos muito sobre isso, as coisas acontecem. E ele tocou uns 5 shows com essa fratura. E Sid tocou em todos os shows com os dois calcanhares moídos. Mas o show tem que continuar, o show continuou e... nós vivemos por isso, então é parte da nossa rotina de trabalho. Não é por causa de um par de ossos quebrados que nós vamos quebrar o ciclo de turnê inteiro. Tem muito mais por vir. [05:50]

HB: Como se a dor fosse um fator de motivação pra vocês...


"Meu objetivo sempre foi infectar o mundo inteiro"

Shawn: A maioria disso mostra o que é o Slipknot. E eu estou aqui pra te dizer, como um dos criadores, que você nunca saberá. Você não está na banda, você nunca estará na banda. Ninguém nunca vai saber, ninguém nunca vai saber como é vestir uma máscara no palco, fazer a performance e tocar a música que nós escrevemos. Ninguém nunca vai saber, e o que eu posso te dizer é que a dor foi e sempre será minha maior motivação por trás da minha arte. Não tem respostas, não tem nenhuma garantia, ninguém pode me falar nada sobre o que está realmente acontecendo.


"Essa foi a melhor turnê da minha vida!"

Então tem que aceitar o fato de que isso é aleatório como um acidente de carro. Tudo é imprevisível na vida, uma tempestade que aparece e agora não tem nenhum furacão, e daqui a pouco tem um furacão por aí e aquela casa que esteve ali por décadas não está mais ali, sabe? É imprevisível, nós somos a mesma coisa. Comigo é a dor, e porque eu tenho que viver aqui, eu tenho essa coisa dentro de mim, e isso aflora e as pessoas podem sentir, porque todos nós somos únicos e originais, a única certeza que temos no mundo é que todos somos diferentes, ninguém é igual.

Então a dor existe, e a liberação da dor é saudável. E eu sempre disse que o Slipknot me mantém vivo. Amanhã de manhã eu vou abandonar meus quatro filhos e minha esposa, não há nada além do Slipknot que me faça viver. Essa banda me mantém vivo junto com minha família agora, para um vencer, o outro precisa vencer. É a dor que sái da arte que me ajuda a continuar fazendo isto. [08:40]


"E agora eu vou sentar aqui, 12 anos depois, olhar nos seus olhos e dizer 'HAHA!' "

HB: O último álbum, All Hope Is Gone, foi o primeiro a atingir o topo das tabelas, eu sei que você não liga muito pra estes números, mas foram tremendas conquistas. Um tapa na cara de quem achou que a banda estava decaindo ou terminando.

Shawn: É, o trabalho duro geralmente vem acompanhado de conquistas. Meu objetivo sempre foi infectar o mundo inteiro. Você já parou pra pensar no quão duro nós demos? Existe muito sacríficio por trás da arte até ela começar a destruir. Então é muito bom, nós merecemos isso, com certeza merecemos. Ninguém pode olhar na minha cara e dizer que não merecemos. Nós merecemos há muito tempo. E nós vamos merecer ainda por muito tempo. Nós somos o "Knot", entendeu? Aceite isso.


Agora eu posso parecer um pouco arrogante, mas eu tenho falado essas coisas desde o começo. E agora eu vou sentar aqui, 12 anos depois, olhar nos seus olhos e dizer "HAHA! HAHA!". Você devia estar envergonhado por ter subestimado a mim ou a banda, ou tê-la incluido num estereótipo, pelo seu trabalho, ou pela gravadora ou pelos produtores, ou quem seja.

Quer saber? 12 anos se foram e eu continuo aqui, e a banda agora está no topo do mundo. E nós éramos o topo do mundo quando chutamos a porta e fizemos todos indagarem "O que é isso!?". Então nós fomos o número 1 por muito tempo e continuaremos sendo por muito tempo, e é um sentimento bom, cara. É um sentimento bom porque é bom ter um reconhecimento do trabalho suado. É disso que eu gosto, eu gosto dos apertos de mão. Eu gosto quando as pessoas olham no meu olho e ficam surpresas, é isso que continua me incentivando a sacrificar minha vida pela arte. [13:00]

HB: Qual foi o grande momento da turnê Mayhem?


"Meu filho esteve comigo pela turnê inteira"

Shawn: Pra mim é fácil dizer, eu levei meu filho na turnê comigo, ele só perdeu alguns shows no começo. Ele estava lá e foi intenso. Certa hora pegamos um avião particular para o Arizona. Resumindo, meu filho esteve comigo pela turnê inteira, teve seu lugarzinho no ônibus. Em certo momento eu levei todo mundo pro quarto dele pra acordá-lo porque ele não levantou na hora certa, aí eu fui até lá, com um segurança do lado, olhei na cara dele e disse "Olha aqui, o pessoal está esperando por mim por sua causa!" (risos) Eu saí e bati a porta e olhei pro meu amigo e nós começamos a gargalhar, foi muito engraçado.

Depois pelo resto da turnê, meu filho acordava sempre 20 minutos antes de todo mundo. Se ele fosse mais jovem ele não iria comigo, mas ele tem 15 anos, e foi muito bom estar com ele, que é também um grande skatista, ele é muito muito bom. Todo mundo na turnê estava assistindo ele andar de skate, e vinham até mim dizendo "Seu filho manda muito bem!" Então pra mim, em dez anos, essa foi a melhor turnê da minha vida. As pessoas eram ótimas, as bandas eram ótimas. [17:10]

HB: Além dos elementos sonoros da banda, parece que você esteve muito envolvido e inspirado pelos aspectos visuais do grupo. Você fez o DVD "Voliminal Inside the Nine", que foi uma coisa bem incrível em termos visuais. E parece que isso tem sido uma motivação pra você na música.

Shawn: Musicalmente estou levando esse lado da minha arte em uma banda diferente. Eu com certeza farei um filme nos próximos 3 anos. Estive escrevendo um roteiro já faz um bom tempo. Quando eu terminei o Voliminal... tem um trecho escondido lá do meu pai, um pequeno filme da cremação dele. Eu fiz aquilo por mim, eu tinha que fazer, eu documentei aquilo pra mim, e me fez sentir bem. Quando eu assisti, me senti diferente.


"Vou fazer algo do tipo Voliminal, quero mater isso vivo pra sempre"

Eu vou fazer um filme, e vou colocar bastante coisa minha, porque não acho que ninguém no mundo me entende, e eu não acho que isso é um problema. Eu não tenho nada pra dizer pro mundo, nem que eles estão certos ou errados, todos podem ter sua opinião, eu gosto disso, eu aprendo com isso. Eu estou criando algo que coloca as coisas numa perspectiva, digamos assim. Vou fazer algo do tipo Voliminal, quero mater isso vivo pra sempre, porque o Voliminal é tudo o que você não deveria ver, sabe? Desde a arte até as nossas opiniões sendo empurradas em você. É tipo falar pros fãs "Você não vai ver o que você quer, você vai ver tudo da nossa forma."

HB: O filme vai ser sobre o quê? Você poderia nos dar uma idéia? Vai ser de ficção, vai ser de terror, um documentário, o que você pode nos dizer sobre isso?

Shawn: Você está falando das minhas coisas particulares ou do filme, filme mesmo que estou escrevendo? [25:00]

HB: Do filme.

Shawn: Nós estamos reunindo coisas como um documentário, é isso que está acontecendo. E tem um filme que eu estou escrevendo um roteiro há 5 anos, e o que eu posso te dizer sobre isso é que é 100% sobre o amor e sobre a dor. Eu assisti Pulp Fiction há alguns anos, quando eu vi as cores, o jeito da filmagem e a forma que os personagens como John Travolta interpretavam... me ajudou a entender o que eu estava tentando dizer. Então o meu filme vai ser bastante sobre o amor e o oposto disso, a dor. Vai ser fortemente inspirado pela música e pela dança. Essa turnê pra mim está dedicada a completar meu roteiro. Eu já tenho tudo, é só uma questão de adicionar os belos detalhes pra vender a idéia, não pra alguém, mas vendê-la pra mim mesmo.

HB: Além de trabalhar com filmes, você disse que faz muitas fotografias e nós estamos empolgados de ver algumas fotos suas no Headbangers Blog, já que estamos postando uma por semana junto com seu respectivo comentário. Quando você aprendeu a arte da fotografia, é algo que você vêm fazendo desde que muito jovem? Como você descobriu suas habilidades e desenvolveu sua técnica? [29:55]


"Se eu vejo algo real, posso capturar e é isso que eu tanto amo."

Shawn: Começou quando eu era muito muito jovem, eu nasci em 1969, cresci nos anos 70, minha mãe sempre teve uma câmera, minha vó sempre teve uma câmera, minhas duas avós tinham. Elas eram muito diferentes, uma delas era muito pobre e não tinha muita coisa; Minha outra avó era mais fina e tinha aquela coisa de classe e você tinha que usar boas maneiras perto dela, e ela tinha albuns de fotos muito chiques. Ela tirava fotos, revelava e pronto, está no livro, todas deviam estar num álbum. Então quando nós íamos vê-la, ela tinha uma sala com uns móveis refinados ainda com o plástico em cima. E eu podia ver centenas e centenas de álbuns de fotografias.


Quando eu entrei na faculdade eu comecei a fotografar, mas não conseguia colocar sentimento, era lindo, eu amo aquilo, mas não entendia aquela coisa em preto e branco. Há uns 12 anos eu consegui uma Polaroid e eu conseguia obter alguma cor nas fotos. Certa vez um rapaz de uma revista chegou na cidade pra tirar fotos das nossas máscaras, mas ninguém na banda queria ajudá-lo, pois estávamos voltando de turnê.

Então eu acompanhei este cara de máscara pela cidade inteira, tiramos as fotos, se eu aprovasse ele selecionava. Um outro cara, que fez as fotos dos dois primeiros álbuns foi o primeiro a me mostrar uma câmera digital, eu pedi pra ver e ele disse "O mundo será diferente agora", e me entregou a câmera. Desde então eu ando com minha Polaroid e minha digital, e eu a amo porque é praticamente uma alegria instantânea, eu vejo algo, eu tiro uma foto daquilo, vejo a foto e posso descartá-la. Se eu vejo algo real, posso capturar e é isso que eu tanto amo. [34:40]

HB: Pra mim são muito legais as fotos, os ângulos são interessantes também, mas na pós produção é onde a cor aparece, os detalhes se destacam. Parece que você mistura muitas cores usando equipamentos quebrados. Como é isso pra você, como isso começou?


"A fotografia me permite examinar a mim mesmo, examinar minha vida e o mundo."

Shawn: Eu gosto de manipular máquinas. Eu gosto de ir contra os programas. A montagem de uma câmera é assim assim e assado, e depois eu vou lá, jogo fora o manual da câmera e mexo em tudo, coloco as peças onde não deveriam estar. Essa é minha arte. É assim que eu sou. Eu manipulo as coisas, eu manipulo o vidro, câmeras são feitas de plástico, areia e metal. As lentes são feitas de areia, é puro vidro. Eu altero isso, não existem regras, e eu gosto disso porque mostra coisas que nós nunca veremos, gosto de abrir estas portas na minha mente. A fotografia me permite examinar a mim mesmo, examinar minha vida e o mundo. Resgatar aqueles pensamentos que estavam flutuando na minha mente, e trazê-los para a realidade.

HB: Quanto dessa arte tem a ver com sua obsessão com a morte?

Shawn: Toda ela. Eu sou um humano, não sou fascinado com a morte, eu tenho medo da morte. É a única coisa que nós vamos fazer, todos nós. As pessoas têm falado comigo sobre Deus, sobre dinheiro, sobre o que está acontecendo, sobre meu trabalho, sobre o que farei, mas ninguém fala sobre a morte. Ninguém coloca isso numa perspectiva, então eu faço isso sozinho, porque estou alerta. Eu tenho fotos de amigos que estão doentes agora, e posso olhar pra trás e tento dizer pra mim mesmo "Cara, o que sou eu? Eu andava por aí com esse cara." E eu percebo que sinto falta, e percebo que queria que ele estivesse aqui, mas ele se foi. Então eu só tenho aquela foto. Isso me ajuda. [42:40]

HB: Nós estávamos falando do Voliminal antes, de você filmando as cinzas de seu pai. Depois que eu vi fiquei literalmente sem palavras por alguns instantes.

Shawn: Meu pai foi um grande homem e um dos meus melhores amigos. Minha mãe tem Alzheimer e queria ver meu pai, e eu não aconselho as pessoas a verem aqueles corpos, é uma escolha pessoal, sabe? E eu tive um momento muito difícil ao ver minha mãe ali com meu pai. Eu resolvi entrar com a câmera, meu amigo me perguntou "O que você vai fazer?", e eu disse que queria fazer aquilo, eles iam cremar meu pai, não importa o que você pense, não faz nenhuma diferença pra mim.


"Meu pai é eterno! As pessoas vão assistir isso diariamente, e aquele é meu pai. Ele é mais rockstar do que eu"

Eles disseram "Faz o que você quiser, cara" E eu disse "Vocês são as melhores pessoas na face da Terra.", por me deixarem fazer o que eu sou, e o que eu sou é descobrir a vida. E foi a melhor coisa pra mim, cara. Não tenho nem idéia se as pessoas entenderão o sentido daquilo, mas eu não o fiz para as pessoas, eu fiz pra mim e pro meu pai. [45:38]

Eu estava fazendo uma entrevista depois da filmagem, e um dos câmeras disse que ficou tão comovido com minha filmagem do meu pai que ele pegaria o vídeo e colocaria no YouTube, e eu quase comecei a chorar porque pensei "Pera aí, meu pai é eterno! As pessoas vão assistir isso diariamente, e aquele é meu pai. Ele é mais rockstar do que eu." O pessoal ouviu isso e disse "Nossa, cara. Que coisa estranha", mas pra mim, não é tão estranho, é amor. Eu tenho que dar Adeus e faço isso do meu jeito. E meu jeito é documentar como eu me sinto. Quando minha mãe falecer, vai ser do mesmo jeito, mas diferente. Porque esse sou eu.

HB: Vamos falar um pouco mais sobre música, além do Slipknot, você tem outra banda muito ativa agora, o Dirty Little Rabbits que assinou com a gravadora 'The End', o que foi bem legal. E uma coisa interessante nessa banda, é que ela é completamente o que os fãs do Slipknot não esperariam, ou talvez exatamente o que eles esperariam. Mas não é metal, é bem alternativo, uma coisa meio psicodélica. Conte-nos um pouco sobre isso.


"O Dirty Little Rabbits é o meu novo Slipknot."

Shawn: O Dirty Little Rabbits é o meu novo Slipknot. Eu toco bateria, escrevo músicas e eu esperei a vida inteira pra estar numa banda como essa. Stella é uma velha amiga minha e meu sonho de vocalista. Eu sempre quis estar numa banda com vocal feminino porque eu quero representar o mundo todo, homens e mulheres. E ela é a melhor, é como se fosse a irmã, então ela se esforça tanto quanto eu. [49:00]

É um processo duro, é um estado mental. E essa vai ser a banda que eu vou ter até o final da vida. A maioria das pessoas não sabem que eu sou mais ou menos alternativo na música e na arte. Eu não cresci obcecado por metal, mas é essa a grande parte da beleza por trás do Slipknot. Você tem os caras que são completamente dedicados ao metal, e tem os que nunca escutam, como eu. Você se junta e faz essa coisa chamada Slipknot que acaba sendo uma banda de metal e isso é maravilhoso porque eu sempre acreditei que iria me juntar aos meus amigos, e eles estavam escrevendo música que eu nunca senti ou ouvi, e essa é a razão de ter entrado nisso.

E eu trouxe a arte pra música e conforme o tempo passou, eu desenvolvi minhas habilidades musicais e pronto, aqui estou eu com o Dirty Little Rabbits e é finalmente tudo que eu queria em uma banda. Tem 5 integrantes, guitarra, teclado, baixo, vocal, bateria. Eu esperei minha vida toda para conhecer uma gravadora como a “The End”, e me parece que, artisticamente, as pessoas envolvidas nisso tem uma mentalidade idêntica à minha, por isso conseguimos fazer isso com facilidade, foi tudo desenvolvido em torno da arte. Vamos tentar lançar o EP em janeiro e o álbum completo em abril. Gravamos no Sound Farm Studio, mesmo lugar onde gravamos o “All Hope is Gone”. Nós já tínhamos feito um EP lá antes do Slipknot, o dono é um grande amigo meu. [51:01]


"Nós trabalhamos muito duro durante dois anos e finalmente conseguimos. "

Vai ser um fenômeno porque eu estou fazendo tudo do jeito antigo. Estou cansado de todas as bandas novas que só entram para conseguir um contrato. Fizemos todo o álbum em fita. Tudo que podíamos gravar assim nós fizemos. E é maravilhoso. Vamos usar técnicas antigas para trazer o Rock 'n' Roll de volta, não apenas no som, mas vamos tocar ao vivo e isso é o que faz as pessoas fãs dos Rabbits. É tudo que eu sempre quis fazer de música. Então, é muito enérgico e eu estou muito empolgado. Eu lembro de ligar pro Rick Rubin uma vez e reclamar que não conseguia fazer isso. Ele riu de certa maneira e me deu o melhor conselho da minha carreira. Não posso dizer o quê, mas meses depois eu segui o conselho dele e de outras pessoas que eu amo e aqui estou eu com o Dirty Little Rabbits.

Nós trabalhamos muito duro durante dois anos e finalmente conseguimos. Temos música de verdade que ensaiamos e tocamos. Fizemos uma turnê com o Stone Sour e ficamos bem famosos em Omaha (Nebraska). A música “Hello” ficou em primeiro lugar como a mais pedida. Não é sobre a indústria musical. Quando nós começamos, ninguém tinha expectativas ou preocupações com o que as pessoas fariam ou se iriam entender. Nunca teve uma vontade de ser parte dessa indústria. E depois de dois anos, aqui estou eu. Essa é a terceira banda que eu tenho que consegue um contrato, a primeira você sabe que é o Slipknot, a segunda se chama To My Surprise, e essa se chama Dirty Little Rabbits, estou muito empolgado. [53:30]

HB: Como o To My Surprise chegou ao fim? E porquê?

Shawn: Brandon (Guitarrista e vocalista do TMS) e eu sempre soubemos desde que pisamos no estúdio que nunca deveríamos estar na mesma banda. Eu diria que o Brandon estava numa fase de começo de carreira, e ao contrário dele, eu estava cheio de coisas. Eu estava saindo do ciclo de Iowa e entrando no Vol.3, e ele exigiu que eu resolvesse isso e, infelizmente, eu não pude.


"Michael Pfaff foi a primeira pessoa que tocou comigo e não falou 'O que você está fazendo?' "

Tinha que fazer as coisas com o Slipknot pela minha família, eu quis fazer isso. É a minha vida, ele não quis esperar, e eu achei isso ótimo. Ele tomou a decisão certa, fazer uma banda pra entrar em turnê é difícil. Desde então nos falamos e provavelmente vamos fazer música só por fazer, mas sem essa coisa de banda. É muito difícil pra gente. Não foi realista tentar nos esforçar ao máximo para conseguir fazer algo para a turnê no período de tempo que tínhamos, o Slipknot tornou isso impossível. Foi um dos meus álbuns preferidos e uma grande conquista.

Gravamos com Rick Rubin antes do Vol.3, e é um ótimo álbum. É a minha vida, todo aquele sentimento saindo de dentro da época do Iowa. Toda a dor e toda aquela esperança, tristeza direto no To My Surprise. Então aquilo ficou ali e foi bom que não saímos em turnê, precisaria representar o que eu fiz. Estou muito feliz por isso também. [55:40]

HB: Como o DLR se formou? Como você conheceu essas pessoas pra começar?

Shawn: Basicamente eu estava me sentindo mal porque eu queria tocar bateria e o Sid (#0) veio me pedir pra tocar com ele umas músicas que ia mandar para o Ross Robinson. Então eu fui e toquei uma faixa com ele, foi de uma vez e eu realmente me soltei. Isso fez eu me sentir muito bem comigo mesmo e com a música e eu liberei todas as emoções. Então depois o Sid me ligou e disse “Venha até aqui, esse cara é fantástico!” E eu disse “Não cara, grava aí o teu álbum”, e ele respondeu “Não, você precisa vir até aqui conhecer esse cara.” Então eu fui lá, e me falaram que o cara era baterista, eu pensei “Bom, talvez eu toque o vibrafone que ele trouxe.” E ele disse: “Ei cara, quer tocar a bateria?”

Ele queria tocar o órgão, então ele sentou e começou a tocar e eu acompanhei na bateria, e nós fomos para um sistema solar que eu nunca estive com ninguém, tinha muita gente tocando mas eu não ouvia nenhum deles. Eu só ouvia esse cara. Liguei pra ele as 8:30 da manhã seguinte e o resto é história. É o jeito que ele molda as idéias dele com as minhas. E quando ele fazia aquilo atrás das minhas batidas eu pensei “É isso!” E quando a gente se encontrou ele foi a primeira pessoa que tocou comigo e não falou “O que você está fazendo?” Ele só disse “Você está fazendo isso, então eu vou fazer isso”. E pronto. Nossa música é isso. Cada um tem seu próprio nível, tipo… eu não me esforço com o que eu escrevo para os Rabbits, porque sou eu. [58:13]

Vem de dentro de mim. Eu dou uma olhada depois que a gente toca, mas não preciso de frescuras. Não sou eu como baterista, eu gosto de maneirar. E às vezes eu entro em coisas estranhas onde eu quero as músicas e a maioria das pessoas brigam. Michael Pfaff aceita e faz a parte dele.

HB: Esse álbum já tem um nome?

Shawn: Ainda não tem um nome. Ainda é muito cedo pra dizer, porque o nome pode mudar.

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