13 de fev de 2009

** Entrevista de Clown para o The Aquarian **




A banda de nove membros que colocou Iowa no mapa se considera excepcional em sua concepção. Dando ao mundo um visual e música que jamais haviam sido constados antes. Antes de embarcar na turnê com o Trivium e Coheed and Cambria, Clown contou o que move o Slipknot, revelou que tipo de perigos sua alma encara diariamente e também a forma que vê o Slipknot no mundo de hoje.


Como você se sentiu ao saber que o "All Hope is Gone" estava no topo das paradas?


Bem, pra mim, sem querer soar pessimista ou algo do tipo, mas eu sinto no meu coração, no meu espírito que, dez anos atrás, quando nós partimos pelo mundo atrás dos nossos sonhos, eu tive que deixar minha mulher e meus filhos para trás, nós éramos o número 1 quando tomamos essa decisão. Nós temos sido os melhores todos os dias desde então. Eu não sou um daqueles caras que realmente precisa desse reconhecimento, porque tenho trabalhado tanto por tanto tempo que sinto que nós somos vencedores desde que decidimos defender o que nós acreditávamos, ou seja, o Slipknot. Se isso me faz feliz? Claro! Mas é uma faca de dois gumes, porque agora nós temos um estranho processo de pensamentos, tipo "será que da próxima vez eles nos colocarão em segundo? Para que possam falar sobre como não somos mais os primeiros?" É essa porcaria que eu não me conformo nesse negócio, eu trabalho duro todo santo dia, a banda trabalha duro todo santo dia, só para fazer o que fazemos, e essa é a nossa arte. Sim, é muito bom, mas eu acho que nós temos sido número 1 por 10 anos.


Acho que é uma grande lição para qualquer artista.


É, acho que eles nos colocaram onde eles precisam. Somos grandes agora, então as pessoas nos procuram para suas revistas, eles precisam de nós para seus vídeos, programas de rádio, programas de TV, e é tudo baseado no dinheiro, e isso nunca foi dessa forma pra nós. Isso sempre foi meu sonho. Me sacrificar e sair para fazer o que quisermos, nossa vida é viver o que fazemos. Sempre se tratou de sacrificios, nunca foi guiado pelo dinheiro. Então é engraçado esperar o mundo nos alcançar. Eles nos colocaram em primeiro lugar sabe-se lá porquê... Eu nunca fui ligado a isso e não serei, mas parece que terei que trabalhar mais ainda agora. Eu sei que isso poderia soar um pouco hipócrita, claro que isso me faz sentir bem, mas ao mesmo tempo, isso me faz pensar, "Ahh, lá vamos nós, a encheção de saco!" Eu sinto que já demos duro demais, mas agora, nós temos que avançar um nível.







Eu entendo que o "All Hope is Gone" foi o álbum mais colaborativo que a banda já fez. Dito isso, esse é o disco que mais realizou expectativas individuais, é o disco que o Slipknot nasceu para fazer?






Para ser sincero com você, levando em conta o andamento das coisas, eu sinto exatamente o oposto. Eu sinto que esse disco é uma ponte para o futuro. Eu acredito que o último disco foi muito sobre reabilitar nossa amizade, ficarmos juntos, e algumas pessoas pessoas percebendo que existem todos os tipos de pessoas nessa banda com alguma coisa a dizer e a fazer. Nós entramos nesse álbum com uma mentalidade de que todos poderiam ser eles mesmos. Nós temos um ditado que, "Os pedaços são tão bons quanto um inteiro." Isso significa que você pode ser egoísta nessa banda, mas é a banda o que realmente importa. Conheça seu lugar, saiba o que importa. Não tente se destacar e se fazer mais importante. Perceba que o Slipknot é uma entidade. São nove caras fazendo algo inteiro, único. Para o Slipknot, está cada vez mais importante permitir que cada um mostre suas habilidades para trazer algo musical para a banda, e eu acredito que isso está melhorando. Mas eu olho para o futuro, onde será cada vez mais sobre permitir a todos o que eles tem a fazer, e esse é truque no Slipknot. Vai levar tempo.Nós estamos juntos há dez anos anos e só fizemos quatro álbuns, e levamos muito tempo entre os discos. Mas nós olhamos para bandas que começaram junto com a gente, que têm sete discos, e mais da metade são lixo! Eles só queriam sair de sua idéia fundamental de que o que eles pensam tem que ser transformado em disco, apenas para constar. O Slipknot nunca foi desse jeito, nós apenas queremos lançar a arte em que nós acreditamos, e se isso leva três anos... bem, é um bom problema a se ter. Nós temos quatro telas bem distintas que nós pintamos e todas elas pertencem a diferentes períodos, realidades. Nenhuma delas é baseada em outra. Isso diz muito pra mim... que nós temos sinceridade em nossa música. A integridade é algo que preserva a forma da arte. Então eu acho que nós estamos nos ficando melhores em permitir a nós mesmos confiar cada vez mais em nós mesmos. Todos na banda estão realmente se esforçando para ser o melhor que podem ser. Houveram muitas coisas com esse álbum que eram muito ruins, mas cada disco tem sua parcela justa de problemas, mas você apenas os supera e move-se para o futuro.






Você tematicamente diria que o álbum não se trata de lutar contra os demônios, mas de alguma forma exibe um espelho, dizendo que a sociedade nada mais é do que um reflexo de quem nós somos?






Este é outro motivo pelo qual levamos tanto tempo pra fazê-lo, porque nós somos uma banda de turnê. Eu nunca ganhei um dólar vendendo álbum. Eu poderia me importar menos com o álbum. É divertido? Eu gosto de fazer isso? Eu gosto da arte? Eu gosto de gravar? Sim! Todas essas coisas são legais, mas não foi por isso que eu entrei nessa. Eu entrei nessa pela experiência de vida, a experiência de vida é quem eu sou nessa sociedade. Onde é meu lugar? Nós fazemos turnês por tanto tempo e trabalhamos tanto que depois de um ciclo de turnê, nós precisamos relaxar. Apenas pra me lembrar quem eu sou, e me envolver novamente na minha vida, e após seis meses, você começa a dar uma boa olhada à sua volta, e os problemas espirituais nesse mundo, os problemas políticos, os problemas individuais, e você pega tudo o que testemunhou e tudo o que presenciou e a próxima coisa a se fazer é compôr um novo álbum. Você luta pra descobrir quem você é em tal ponto. Você precisa de um tempo pra perceber quem você é.






Você disse que é uma banda de turnês, e é surpreendente ouvir que vocês estão levando o Coheed and Cambria. É uma prova do quão experimental e expansiva a banda se tornou musicalmente?






É, eu não curto muito deixar as pessoas felizes em questão de gêneros, eu sempre disse isso. Sem desrespeito ao metal, mas eu estou no Slipknot não porquê somos uma banda de metal, mas porque nós fazemos nossa própria música. Se precisa estar num gênero considerado metal, é legal pra todo mundo, mas eu nem sou um grande fã de metal. Eu gosto de metal? Gosto. Mas eu gosto de trazer uma turnê diversa para os fãs. Eu quero ser um precursor de fãs vindo e presenciando uma banda como ela é, e uma banda como o Coheed and Cambria que é tão diferente de nós, mas eles foram felizes na arte. Isso é importante. Eu acho que é mais importante deixar os fãs do Slipknot com as mentes abertas, e você não consegue fazer isso colocando-os pra assistir quatro coisas iguais. Não que ninguém mais esteja remotamente perto da gente, porque nós somos nosso próprio negócio. Mas atualmente estou num ponto que preciso de variedade e é disso que se trata... presenciar diferentes níveis de arte. Certamente me anima. Certamente parece certo, porque parece haver algum perigo aqui, o perigo é bom para a alma, o medo é bom para a alma. Se isso vai fazer os fãs perceberem algo, ou verem as coisas de uma forma diferente... é um risco que se corre, não que eu sinta como se fosse um risco, mas as outras pessoas sentem como se fosse diferente o bastante para trazer à tona. É apenas natural, mas me instiga.












Você disse uma coisa muito interessante, que o perigo é bom para a alma. Que tipo de riscos você teve que encarar que foram bons para sua alma nos últimos 10 anos?






Eu tomei a consciente decisão de me casar e ter filhos. Por sorte, eu tenho o apoio da minha família para que eu pudesse viver meu sonho. Isto é um perigo diário; meus filhos crescem muito rápido. Eu decidi perder muito da vida deles, para perseguir esse sonho com egoísmo, esse meu sonho da arte... música. Algo que eu preciso desde que eu era apenas uma criança, então o maior perigo de todos é saber que toda vez eu sou egoísta e entro no ônibus pra viver a experiência, as pessoas mudam e eu me perco no amor e na alegria. No último ciclo de álbum, eu perdi meu pai duas semanas antes do fim da turnê, e passei muito tempo imaginando como isso foi acontecer. A única resposta que eu posso me dar é que a vida é aleatória. É tão aleatória que você nem consegue controlar o seu processo. Isso é o perigo, saber que faltam apenas duas semanas numa turnê de 14 ou 18 meses. Eu poderia ter passado duas semanas com meu pai fazendo inúmeras coisas. A mensagem é para você aproveitar enquanto ainda os tem, porque as pessoas desaparecem da sua vida, e você jamais as verá novamente. Isso é o perigo, eu vivo isso todo dia agora. Todas as vezes que eu saio, eu sei que existem pessoas em minha vida que podem não estar lá depois. Entende onde eu quero chegar? Esse tipo de coisa é muito pesada e todos os artistas que fazem isso para viver, que fazem isso de uma forma séria, presenciam esse tipo de coisa. Começa com nascimentos, aniversários, e casamentos, e depois muda para velórios, essas são coisas que nós temos que aceitar. Bem, eu ainda não aceito, mas são coisas que você estará disposto a aceitar para perseguir uma visão egoísta, e é perigoso. É o medo na forma mais tenebrosa que você já pôde imaginar.






Nossa, obrigado pela sinceridade.






Eu que agradeço pela pergunta.






Você também dirigiu um documentário para a banda recentemente, é um outro ramo artístico que você quer perseguir?






Sim, eu estou orgulhoso por ter feito o filme. Digo, estou muito, muito orgulhoso por ter feito o filme e estou sempre trabalhando no meu ângulo de gravar as coisas. A opinião de algumas pessoas que assistiram o Voliminal, é que não entenderam nada, por causa da forma que seguem as cenas e da arte contida. Mas eu tento reprogramar o que as pessoas pensam sobre essa banda em suas mentes. É isso que me anima. É isso que eu gosto de fazer, e eu vou continuar fazendo isso, não importa se a gravadora aceitará ou não, ou se minha banda aceitará ou não, ou até mesmo se o mundo aceitará ou não, eu vou continuar fazendo isso. Eu realmente não me importo, porque eu sou guiado por essas visões. Eu sou obrigado. Eu vejo metáforas e meu trabalho é ligar os pontos, então em muito breve os pontos se transformam num pensamento conceitual de uma hora e meia. Mas eu amo isso, e estou trabalhando em algumas coisas atualmente, mas isso leva tempo. Estou constantemente coletando, e eu acho que isso é meia batalha. Estou sempre coletando shows do Slipknot. É uma questão de esperar pela inspiração, algo diferente do que nós fizemos surge, e quando surge, eu conecto os pontos, e se tudo der certo, todos se identificam.






Dirty Little Rabbits terá outro EP em breve, certo?






Sim, nosso primeiro EP chamado 'Breeding', teve três músicas, e nós fizemos algumas turnês. Tivemos um EP chamado 'Simon' lançado dia 27 de Janeiro, e nós vamos lançar nosso álbum inteiro por volta de 7 de Abril. Dirty Little Rabbits é mais egoísta. Como eu já disse antes, eu sou apenas um nono de Slipknot. E o Dirty Little Rabbits é a música que eu quero fazer, é a música que eu quero apresentar, e é a música que eu quero compôr.






Você alcançou o equilíbrio na vida, e isso é mais do que a maioria das pessoas pode dizer.






Eu tenho essas duas realidades, e elas são completamente o oposto da outra. Quando estou no Slipknot, eu me movo numa direção, então é mais fácil seguir em outra direção, pois está do lado contrário. Ambas movem-se em direções opostas tornando muito fácil entrar naquela espaçonave e seguir em outra direção.






Como é a preparação para a turnê pra vocês, o aspecto físico disso pra você, é mais intenso do que outras bandas? O que você faz em relação a alguma preparação física ou mental?






Nós temos um ditado que sempre dizemos um ao outro, "Você não vai escapar disso." Dito isso, você simplesmente tem que mergulhar de cabeça. Para essa turnê que estamos prestes a fazer, nós passamos duas semanas no Japão, uma semana na Nova Zelândia e Austrália, e sete semanas na Europa. Se não se sabe o que vamos fazer agora, também podemos sair do jogo. Tivemos quase cinco semanas de descanso, e vamos nos reunir no dia 20 de Janeiro e ensaiar por umas três ou quatro horas, tirar o dia 21 de folga, e dia 22 nós saímos de Des Moines ao meio dia para o ensaio em St Paul, MN, que é onde será o primeiro show, e então vamos ensaiar das 5 às 9. Serão dois ensaios, e não serão à caráter, então não estaremos sobre pressão. Dia 23 será o primeiro show, e goste você ou não, se prepare porque você não vai escapar disso.Somos mágica, essa é a real insanidade do que acontece e da dor envolvida. Quando você se apresentar no dia 23 e meter a máscara na cara, muita dor vai rolar. Mas essa dor que exigimos, é a dor que inventamos. É a dor que só nós conhecemos. Ninguém no mundo jamais saberá como é ser o Slipknot, e isso é metade da excitação e metade do desafio é se tornar o Slipknot novamente. Não dá pra se preparar pra isso; não dá pra treinar para o show, porque é muita adrenalina e muitas outras coisas que ocorrem








Como você vê o Slipknot se encaixando na cena músical atual?








Eu ouço todo mundo reclamar que a indústria é isso ou como os fãs estão roubando música da internet e como determinada gravadora deixa 250 pessoas irem. Esse negócio da música não está funcionando, e todos estão fazendo 360 acordos, e agora as gravadoras tem que estar envolvidas com merchandising, quando normalmente eles se divertiam com isso. Eles tem que ter uma parte das vendas da banda, das publicações e turnês, as gravadoras estão se envolvendo com o gerenciamento, porque ninguém consegue perceber essa porra. O que eu estou dizendo é que tudo pode ser ruim, mas o amor pelo rock 'n' roll está maior do que nunca. Na sociedade atual, com o que está acontecendo e com o mundo estando uma bosta como está, e todas as merdas que nós temos que ver, a necessidade pela música é maior do que nunca, e eu acredito que o Slipknot está no topo. Não existe nenhuma outra banda, não existe outra forma de arte... nada nesse mundo inteiro se aproxima de nós! Nós somos o nosso próprio negócio, somos especiais. Eu estarei aqui por muitos, muitos anos ainda, se tudo der certo. E eu nunca sei quando isso vai acabar. Eu não sei se as coisas irão mudar, devido aos obstáculos que eu enfrento. Um dia, eu poderia querer sair da banda só porque se tornou muito surreal e é difícil, mas eu consigo administrar isso.Então eu nos vejo... somos excelentes, estamos no topo. Posso dizer que, porque nossos fãs são verdadeiros, nada do que nós fazemos é uma mentira, nós tocamos música extrema, e temos um show extremo. Quero dizer, eu conheço bandas que têm três integrantes, e elas duram dois anos, e de repente, eles tem divergências musicais. Eu cuspo nessas bandas. Eu cuspo nessas bostas! Todas essas bandas que estão tentando ter a repercussão dos Beatles, tentando recriar alguma melodia e tentando recriar os Beatles, eu cuspo nessa merda também! Nós somos uma cultura, o Slipknot é uma cultura. Nos identificamos com a vida do ser humano que tem dor, e precisa se livrar dela, e olham para nós para se livrar disso, pra expor suas paixões. Então eu nos vejo dessa forma, e não me importa quem você é ou o que você fez, venha assistir um show do Slipknot e veja o que você não está fazendo. Nós somos a realidade. Eu nos vejo como algo muito necessário para este mundo. Eu poderia me importar menos se o negócio do rock n'roll estivesse fracassando, isso não tem nada a ver conosco, porque não estamos fracassando. Eu vou aos shows e as pessoas estão lá, porque isso é verdade e é necessário. Nós vamos continuar fazendo isso até não conseguirmos mais fazer, nós vamos parar e desaparecer, mas eu não vou sentar e ficar choramingando.Eu não sou música tradicional, eu não tenho nada além porque sou grande agora, e quando não for mais, vou desaparecer - Como nove em dez bandas que estão por aí. Eles chegam com seus truques e porcarias e pronto. Onde eles estão agora? Bem, eu contarei onde nós estamos, nós continuamos fazendo exatamente o que temos feito por dez anos, mas estamos cada vez melhor. Eu não tenho mais tempo pra discutir com ninguém sobre o que é o Slipknot, nós somos o que somos e essa é a realidade.








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